Um pé na bunda do futebol

Será que sou só eu que enfiou um pé na bunda do futebol? Sinceramente, perdi completamente o interesse. Nem gozação mais dá vontade de fazer! Quem perde, quem ganha, quem vai pra Segunda, quem vai pra Libertadores, quem permanece na Primeira, quem trocou de jogador. O jogador que jogou mal, o que matou a pau!
Não sei quem são os patrocinadores dos times e não me interessa mais, não perco um segundo assistindo comentários técnicos… E juro, estou me sentindo mais livre! Parece que, enfim, aquilo que eu desconhecia do meu país, agora me é mais claro. Descobri pessoas interessantes, onde antes minha atenção estava voltada para a tabela de classificação da Série A. Olhava-a todos os dias, mesmo que os times apenas treinassem.
Então, os assuntos que realmente são importantes, se tornaram vitrine. Antes me parece que a contratação de um novo atacante era mais vital do que o ar, que alcançar a ponta da tabela era mais desejoso do que viver a vida de verdade e senti-la por dentro de mim.
Me perdoem os aficionados, os fissurados, mas parece tudo uma brincadeira de adolescente. Percebi que o futebol torna as pessoas mais sádicas, mais irônicas, mais cínicas, mais chapadas, mais imaturas. Os adultos retornam à infância nas quartas e domingos e nas segundas se divertem endeusando seus times de futebol como se não houvesse amanhã.
Mas havia um amanhã. Um Brasil veio sistematicamente sendo roubado diante dos olhos da população, mas grande parte dos adultos estava vidrada em frente à televisão sendo pacatamente adoçados, passivamente apalermados, rindo, chorando, praguejando, pulando de uma alegria fugaz que durava segundos após o apito do juiz.
Descobri que o futebol suavizou olhares, entorpeceu vontades, tangeu homens na sua grande maioria para desviar focos, para desnortear, para domar. E conseguiu com grandes golaços na gaveta.
Antes, se estava havendo uma estratégia para roubar a nação não importava, porque a nação Futebol era mais importante.
Nesse tempo, incrivelmente, alucinados pelo futebol mataram antes, durante e depois das partidas, as torcidas organizadas, somente se organizaram para assistir ao time da alma e saindo dos estádios, ficava a aquele pelotão de indivíduos indo para casa, com a sensação de ter alcançado o paraíso.
Mas faltou organização para salvar o país! Faltou desejo de fiscalizar, faltou vontade de trabalhar para a Nação, já que toda a força e gritaria foi canalizada para se esgoelar nos estádios de paixão desmensurada. Olho as torcidas hoje e vejo indivíduos solitários gritando tresloucadamente para si mesmos.
Bom, de minha parte, soltei meu grito de liberdade e finquei um pé na bunda do futebol. Meu futebol agora é o que jogo com os amigos. Isso sim é uma ótima escolha.

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