As eternas crianças de supermercado

Veja bem, reflita, sem pedras na mão, sem barreiras intransponíveis, sem reações apaixonadamente islâmicas, sem paradigmas, sem fé absurda, sem ideologias perniciosas, sem retaliações mentais, sem oportunismo. Falo da reforma trabalhista.

Ela não ACABOU com o direito do trabalhador, como esganiçam os radicais, ela apenas modernizou situações que eram “imexíveis” há décadas. Situações que estavam entravando as relações trabalhistas colocando o país entre os mais decrépitos no quesito custo e destruindo empregos.

Ao ler e ouvir alguns comentários sobre a reforma, sindicatos, centrais sindicais, intelectuais óbvios e oportunistas na sua maioria, percebo o quanto a Ideologia do Medo, implantada no Brasil continua a fazer estrago. Ficamos tanto tempo sob o jugo de líderes inconfiáveis que nos tornamos medrosos. Nossa covardia em encarar a vida com força e vontade frutificou. Hoje, mudar qualquer coisa virou um trauma como abrir uma fratura à fórceps sem anestesia. Por isso mesmo, enquanto nação, nos perdemos moralmente e afundamos numa educação lastimável, jogando os mais necessitados nas agruras do desemprego.

Ao ter o desprazer de ver e ouvir adultos completamente tapados defendendo o atraso, com unhas e dentes de predador de caderneta, me veio aquela cena muito comum nos supermercados de hoje: a mãe morrendo de vergonha, ao ver o filhinho gritando como porco na faca porque exige aquele doce incomprável de caro a qualquer custo. E a mãe, simplesmente, destrói o orçamento mensal para atender as birras do pirralho endemoniado.

Os últimos anos ensinaram isso! Isso foi aprendido nas escolas, nas universidades, nas reuniões, na mídia, na propaganda partidária, no mercado, nas salas dos tribunais, na gestão pública, na pedagogia do medo e da culpa. Somos todos produtos culturais e como tal, tratamos da vida por esta ótica.

Precisamos voltar ser os adultos que um dia fomos, porque os adultos dos novos dias são adolescentes com mania de grandeza e curtos, curtos, curtinhos. Se não sabemos analisar os fenômenos sociais com sabedoria, como queremos ser uma nação evoluída? Sempre é mais fácil ser pedra que vitrine.

 

 

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