Do interesse do governo…

Esta expressão, “do interesse do governo”, em qualquer país mais sério e evoluído, deveria ser algo como “do interesse do cidadão”. Mas, não no Brasil, talvez porque não sejamos mesmo nem um, nem outro: nem sério, nem evoluído.

Ao contrário. As últimas gestões públicas foram tão desprovidas de ética decente que os interesses do governo passaram a ser do Poder, ou seja, da estratégia de dominação.  E a estratégia foi levada tão a sério que o único objetivo de um governo democrático foi enterrado com o fechamento das urnas eletrônicas. Lembrando que só há um objetivo num governo eleito pelo cidadão: trabalhar pelo povo e para o povo. Apesar que não gosto mesmo desta palavra “povo”. Ela é sinônimo de formigueiro, manada, senzala.

Mas isso foi engolido pela deformação de caráter dos líderes que atuavam na luta pelo poder. E o “interesse do governo” se propalou como um vírus, condenando o dono do voto ao desprezo, condenando o eleitor à se calar, esquecer e assistir. O protagonista virou figurante e o óbvio aconteceu: o protagonista esqueceu quem era, mas os governantes eleitos não. Eles reuniram suas tribos, enriqueceram e afundaram o país.

Neste meio tempo, entre uma orgia de Direitos como mais comida, mais benefícios tribais, mais facilidades, menos suor, mas regalias absurdas, menos foco na sustentabilidade e muito mais espelhinhos, facões, miçangas, água que queima, ferramentas, facas, foices…

Dá para entender? Nós nos conformamos em sermos eternos índios. Se um cacique provém o básico como comida e oca, nós elegemos e reelegemos o cacique e seu séquito. Temos feito isso nos últimos anos. Temos sido índios em relação ao voto e escravos negros em relação ao açoite. A diferença foi apenas o braço que fustigou a gente. Antes eram braços direitos, depois esquerdos, mas a fúria dos golpes saíam de cérebros iguaizinhos em caráter.

Esta síndrome de cachorro de rua tem que ser eliminada da nossa vida. Não podemos abanar o rabo de felicidade apenas porque ganhamos um fugaz afago, ou um naco de coxa, ou uma fatia de mortadela. Democracia é verbo! Democracia é construção diária!

Nós merecemos os políticos que temos, nós merecemos a Justiça que temos, nós merecemos tudo de ruim que temos, porque não conseguimos nos livrar da síndrome de cachorro vira-lata, da ideologia do medo impregnada nas nádegas passivas de uma população que aceitou o ignóbil sem lutar contra.

Nós aceitamos como religião a máxima de que “do interesse de alguns líderes” fosse igual a “do interesse da Nação”. E, do jeito que vai, vamos levar mais algumas gerações para mudar. Somos um país trabalhando duro para voltarmos a 22 de abril de 1500.

 

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