Leonardo é maior do que um rótulo

Por favor, temos que ser mais exigentes conosco e com os outros, isso é o mínimo que Deus espera de nós. Temos a obrigação de agradecer o dom da vida entre seres pensantes, estimulando o cérebro a pensar mais do que nossas verdades espetaculares permitem. Só assim praticamos o pensar e treinamos o cérebro como um todo.

Esta introdução é como um pedido desesperado para que os adultos, principalmente, se livrem dos rótulos como um corpo saudável deve se livrar da craca: rapidamente e com energia. E também para tentar acabar com os famigerados paradigmas em torno de Leonardo Boff, de longe o mais inteligente concordiense que esta Terra gerou!

Por causa de suas opções ideológicas há uma mania por aqui de crucificar Boff por sua esquerdização política. Leonardo tem o direito de pensar o que quiser, de votar em quem quiser, de ter as verdades que quiser, mesmo que muitas delas sejam discutíveis, outras confusas, outras tênues, outras delicadas, outras erradas, outras certas.

Isso gera por aqui uma certa repulsa em alguns que beira a perseguição romana aos cristãos na era bíblica. Leonardo é muito maior do que um esquerdista apenas, um apaixonado por Lula. Leonardo é um pensador que com centenas de livros publicados e uma honra concordiense numa seara conhecida pelo apego ao trabalho. Temos sim que ser colonos para não nos distanciarmos das nossas raízes culturais, mas ir além, procurar mais, ousar. Isso significa muitas vezes nos despir, nos desinflar.

Tem gente que não gosta de Leonardo sem sequer ter lido um livro dele. Então, vão aí algumas frases do escritor.

“O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.”

“Nada resiste ao bem e ao amor”. “Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. “Se não buscarmos o impossível, acabamos por não realizar o possível”. “Há dentro de nós uma chama sagrada coberta pelas cinzas do consumismo, da busca de bens materiais, de uma vida distraída das coisas essenciais. É preciso remover tais cinzas e despertar a chama sagrada. E então irradiaremos. Seremos como um sol”.

Tem mais. “O mal não está para ser compreendido, mas para ser combatido”. “Deus habita, sim, numa luz inacessível. É um mistério insondável com o qual não podemos brincar. Mas face ao padecimento humano, deixa sua transcendência, toma partido pelos oprimidos contra seus opressores e decide intervir, animar profetas como Oséias e suscitar líderes como Moisés, para libertar seus filhos e filhas humilhados e ofendidos”.

Isso é só um átomo do conteúdo que habita o cérebro deste intelectual de primeira linha. O resto, é odiar algo que não se conhece, pela simples e lamentável condição de ser irracional e animal em si.

Há uma quantidade tal de amor na obra de Leonardo Boff que dá alívio à alma. Sim, como cidadão normal, ele também tem os seus próprios limites. Mas isso é que o torna mais especial, o torna mais humano e menos extraterrestre. Leonardo sente dor, sorri, se angustia, gargalha, canta uma bela canção de amor à terra, assovia, se arrepia, diz bobagens também, como você, como eu, como todos. Porque ser tolo às vezes nos põe de volta a um início qualquer.

 

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