Desmistificando o fanático

Você, certamente, já ouviu o termo “fanatismo”, afinal, infelizmente, nunca o planeta esteve tão infestado de fanáticos. Tem o fanático ideológico, o fanático religioso, fanático político, fanático por clube… Mas o que é exatamente o fanatismo?

Muito bem, uma explicação é que é um estado psicológico de fervor excessivo, um nível tal de submissão que a lógica e a racionalidade são extintas de imediato. O cérebro passa então a ser escravo de um dogma, um paradigma, um deus, uma doutrina, um totem O fanático não é dono de si, ele cedeu seu arbítrio a alguém “superior” a ele.

Se você fosse procurar um animal que simbolizasse o fanático, eu diria que um touro cego num eterno cio seria perfeito. E uma coisa é impressionante: o fanatismo não tem absolutamente nada a ver com conhecimento, pois grande parte dos fanáticos da atualidade são intelectuais, gente que mata a mãe pelo seu profeta.

O fanático vive um constante medo. Medo de mudar, medo de ousar, medo de dizer “não”, medo de pensar com originalidade, medo de voltar atrás, medo da humildade (que pra ele significa fraqueza), medo do amanhã, medo de retomar caminhos. O fanático só conhece um caminho e isso basta para deixá-lo feliz e realizado. O fanático não se dá muito bem na iniciativa privada, pois para progredir nela, ele não pode ser reativo, e o fanático leva a reatividade ao estado da arte.

Outra característica de um fanático é seu desprezo pela própria capacidade em ser autor de sua própria vida. Ao contrário, ele despreza sua essência libertadora original já que ela o incomoda, chegando mesmo a atormentá-lo. É um exímio defensor do que vem de fora e um exterminador da sua própria condição transformadora. O fanático não suporta transformação, mudança, evolução se isso significar ter que admitir que estava errado. O erro é uma adaga no pescoço do fanático. Já, para o lúcido, o erro é uma oportunidade.

E isso explica como, apesar das verdades explodirem em fatos, o fanático está imune a isso. O fanático vive numa confortável ilha de aço inoxidável cercada de paredões intransponíveis… Porque ele é medroso, ele é um covarde soberbo, um fuzileiro das ideias que nunca são dele. Porque o fanático não é original, ele é apenas uma perfeita cópia de algo que o fascina e tolhe. Algo que o seduz tão irremediavelmente, que sua posição preferida é a de submissão total. Um perfeito e delicado passivo total!

Certamente você conhece um fanático, pois ele corta pescoços com naturalidade, ele sustenta o insustentável, ele desnorteia a sabedoria, ele é um legítimo porta-voz de seu dono.

Agora que você sabe um pouco mais sobre o fanático e seu fanatismo, lute para não sê-lo, porque isso está destruindo nosso país e o planeta. Seja dono do seu cérebro, não permita-se ser escravo, pois você nasceu para ser livre. Exercite isso dentro. Pratique a reflexão e a humildade.

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