A nação da CLT e o concurso público

Quer um parâmetro para entender uma das razões porque o Brasil está com cerca de 14 milhões de brasileiros desempregados e vivendo nas costas de uma minoria que ainda produz riqueza? Te apresento a farra de Concurso Público, uma anomalia social que faz o Brasil ser uma pátria de preguiçosos, um trem da alegria para os oportunistas e uma piada enquanto país desenvolvido.

Neste momento da vida nacional, nada menos do que 129 concursos públicos estão sendo oferecidos para uma turma ávida por um encostro profissional suportado por um câncer social chamado Estabilidade no Emprego.

Como sempre, são concursos que chegam a oferecer salários de até R$ 27.500,17, além é claro de uma mala cheia de oferendas que só mesmo uma elitezinha vampira tem acesso. Gente que não produz nada de riqueza, mas dilapida-a como um terneiro esfomeado que mama até que a vaca morra em pé. Tudo, suportado por uma Lei Trabalhista criminosa, caduca, elitista e burra que só tem destruído a relação profissional no mercado de trabalho e ajudado sobremaneira o país a ver a iniciativa privada começando a mudar de fronteiras e produzir em outros países.

E isso ajuda a explicar porque aumenta assustadoramente o número de profissionais que saem do ensino acadêmico e só vão para a iniciativa privada depois de terem feito, pelo menos, uns quatro concursos.

Quer dizer, vivemos o apogeu da faceirice, o altar do encosto. No Brasil, o sonho de realização profissional passa necessariamente por um emprego que não te apresente nada de desafio e sim açucarados privilégios.

Então é bem fácil imaginar que o futuro desta nação vai ser mesmo viver no rabo de um cometa qualquer e jamais ser o próprio cometa. Ou seja, nossa genética de ser colônia de um império qualquer continua firme e forte produzindo gente especialista em senzala. Sim, uma senzala com estabilidade no emprego, salários de feitor e benefícios egoístas, mas apenas isso uma senzala.

O paraíso dos encostados concursados é o melhor que a vida nacional pode oferecer. Suar mesmo, manufaturar, pesquisar, produzir conhecimento científico de verdade, isso é coisa de país capitalista. Melhor mesmo é sempre mamar deitado nas fartas tetas de uma sociedade pré-histórica. Infelizmente é isso que os adultos estão deixando para os jovens que farão o futuro desta nação.

Somos o Éden da promiscuidade social. É no Brasil que estão os melhores salários de políticos, juízes, fiscais, desembargadores, ministros, auditores, técnicos, executivos de estatais e oligarquias do planeta. Mas para o carinha que se mata no dia a dia para gerar recurso e pagar isso tudo sobra muito pouco. Sobra casquinha e falta sorvete. Sobra doação de sangue e falta sangue para sustentar o doador.

Que país queremos afinal? Queremos isso que está aí? Queremos ser uma nação que vai trabalhar para pagar funcionalismo público, políticos e estrutura governamental paquidérmica? Ou queremos algo mais decente e iluminado? Está bom assim de passar uma vida inteira alimentando uma vaca que adora a opulência da Casa Grande e produz leite para alguns partidários concursados ou queremos também beber do leite tipo A que ajudamos a produzir?

Que país queremos, afinal?

 

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