Um esporte que ensina a vigarice

O gol de mão do atacante Jô, do Corinthians, neste final de semana por mais uma rodada do Campeonato Brasileiro da Série A não é uma tramoia qualquer, não é uma repentina vigarice, uma momentânea falcatrua. É um sintoma daquilo que o futebol tem ensinado nos últimos anos: que vale tudo para se conseguir algo.

Lembro agora da “Mão Milagrosa do Maradona” como mais um símbolo de como o ser humano extrapola os Meios para atingir os Fins. Para quem é observador, crítico e consegue enxergar verdades por trás dos fatos, há muito tempo o que se vê nos gramados é o jogador tentando aplicar um 171 no juiz e sendo aplaudido efusivamente pela plebe extasiada de paixão e alucinadamente vazia de conteúdo ético.

Me é impossível não comparar o futebol de hoje com as lutas mortais de condenados nas arenas romanas.  A diferença é que lá atrás, a turba torcia não por um gol, mas pela morte do oponente mais fraco. O que mudou de lá pra cá? Pouca coisa.

Um festival de trapaça é apresentado pelos atletas e a massa chapada aplaudindo e pedindo mais. São pretensas agressões, faltas não existentes e encenadas com uma dramaticidade digna de grandes tragédias cinematográficas, tentativas insistentes em provocar um erro no julgamento do árbitro para obter vantagens.

O futebol, como qualquer atividade humana, é fruto de fenômenos culturais e representa no momento a decadência dos valores morais. O futebol aprendeu com a política que os Meios são descartáveis, se os objetivos forem alcançados.

É isso que os jovens estão aprendendo com a massificação do espetáculo esportivo que se tornou o futebol. A espetacularização do ignóbil vale mais do que os valores morais que nos constituem o caráter.

Jô, ao empurrar a bola para o gol com sua mão, não pensou duas vezes. Por que não o fez? Porque sabia que teria respaldo da maioria das pessoas presentes no estádio. Porque estava consciente que a sujeira ética se torna arma contagiante diante do dano provocado por um desnível moral.

O futebol não conseguiu, como tudo que é feito pelo homem, sobreviver à derrocada moral que assola esta geração. Fazer um desejado gol de mão é a mesma coisa que fazer gestão pública para si mediante a perversa corrupção. É o mesmo que roubar a população para dar sustentabilidade à estratégia de poder. Há caos nas duas ações, porque os Meios foram manipulados para garantir vitórias a qualquer custo.

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