Arma na mão é instrumento… De morte

Você pode ser apologista ao uso de armas, achar que todo ser humano tem o dever de “se defender”. Você pode entender que uma arma na  mão é uma salvação, que alguém pode estar te esperando ali na esquina. Você pode achar que uma neurose de medo contra um inimigo imaginário mereça que você porte arma como uma criança porta um pirulito. Afinal, te venderam isso. O cinema faz isso muito bem, pois nada vende tanta arma e cigarro por exemplo, quanto um filme, qualquer filme.

Mas os acontecimentos trágicos são imparáveis, já que você aceitou isso como verdade e até ostenta sua opinião carregada do desejo de quem ganha bilhões pelo planeta produzindo arma para conflitos inventados, quando não acontecem naturalmente.

Você foi ensinado, educado, tangido a acreditar que poder dispor de um canhão, uma metralhadora, um fuzil, um lança-chamas significa liberdade para se defender. Não porque alguém está preocupado com a sua segurança e a da sua família, mas porque isso significa um comércio multibilionário (em 2016 a grana chegou a quase US$ 70 bilhões). E você, inclusive, é garoto propaganda de graça e a National Rifle Association (NRA) agradece. Você constrói verdadeiras teses de doutorado nas redes sociais para justificar uma necessidade que foi habilmente plantada.

Nos EUA, qualquer lunático pode dispor de armamento de guerra quando quiser, quando tiver vontade. Mas não é só isso! Você pode comprar um arsenal inteiro e guardar em casa tranquilamente para usar na primeira oportunidade que a sua loucura impulsionar.

Então, obviamente, as tra quegédias são compreensíveis, pois é tanta facilidade em usar armamento, que sair atirando a esmo passa a ser necessidade, garantir que você seja admirado pela sociedade a base de tiro é uma consequência natural.

Mas você não está contente com a guerra urbana em curso nos EUA e patrocinada pela Associação Nacional do Rifle , você não está contente em ver gente se matando por nada, pela simples razão de, na hora de um conflito, alguém tinha um Uzi à sua disposição. Não! Você acha que isso tudo deve acontecer aqui no Brasil, num pais que está fervendo de indignação. Não! Você quer mesmo é ser macho e ostentar um AK-47, porque a pistola 45 já não te satisfaz.

Porque você foi fraco o suficiente para aceitar isso como verdade, como conquista. Pois fique sabendo, já que você é tarado por comparação, a segunda emenda da Constituição Americana foi escrita logo após a guerra  civil americana, isto é, sob a tensão de uma sociedade que vinha de um conflito sangrento. Por isso as ideias eram sangrentas.

Mas isso não importa! Você ainda acredita no canhão vencendo a palavra, você ainda entende que liberdade é sinônimo de porte de arma. Porque você adora, ama uma síndrome de Cowboy, um espírito cinematográfico de guerreiro invencível cuja única saída encontrada para resolver uma situação de caos é sair despedaçando gente com potentes armamentos.

Parabéns, você ama mesmo é um bom trabuco, pois sem ele, você já não sabe mais o que fazer. Triste isso! Logo você vai abandonar a palmada e descarregar o pente de uma pistola no seu filho, num domingo à noite. É este mundo que você está construindo. E se a sua sogra inventar de levantar um olho na sua direção é a deixa para ativar a mina antitanque, ou quem sabe aquele morteiro que já está quase vencendo.

 

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