A brutalidade pensa que Neymar é inoxidável

É interessante ver como as pessoas estão reagindo pelo mundo do futebol com a expulsão de Neymar ‘pela oitava vez’! Mas o Neymar ser caçado em campo é lindo! O Neymar ser chutado na frente dos juízes, levar pancada sem bola é admissível e “coisa do futebol”. Porém, o Neymar se revoltar contra ser o tempo inteiro atingido por trás, ver seus calcanhares esfolados de tanta agressão e com a complacência criminosa de juízes é aceitável.

Aí quando o Neymar se lembra que é humano e reage de forma mais enérgica é considerado um infrator e punido com gosto e prazer, já que reagiu à uma agressão. Interessante porque as pessoas passaram a ver o atacante brasileiro como se ele fosse uma máquina de jogar bola e que seu corpo tivesse, com o treinamento, se transformado em titânio, com juntas cibernéticas e fosse obrigado a apanhar calado,  pois sua dor não existe já que foi comprada.

Mas, de repente, o próprio atleta se lembra que é humano, que sangra, que pensa, que raciocina, que sente dores cada vez que é (quase sempre por trás) chutado sem o menor receio…E comete o pecado de gritar, de sangrar, de se sentir agredido. De começar a ver jogadores, colegas de profissão como jihadistas perigosos que carregam explosivos escondidos nas patas implacáveis.

Porque ele deve ser parado a qualquer custo. Porque ele é talentoso, porque é um perigo, porque deve ser cuspido e escarrado, porque ele devia mentir que não possui habilidade. Porque ser driblado por Neymar passou a ser um crime punido com agressões permitidas e justas. E tudo isso sob o olhar atento de juízes bandidos que  assistem e urram de prazer a cada tombo, como se estivessem ali assistindo um suplício decente. Uma brutalidade digna.

Neymar deve ser punido por ser habilidoso, já que é rodeado de mediocridade. E não são só atletas medíocres, mas jornalistas medíocres, juízes medíocres, analistas esportivos medíocres, tribunais medíocres. “Matem-no, matem-no”, gritam os brutos sem dó alguma! “Eliminem-no, pois ele é perigoso, já que tem arte nas pernas”! “Ele tem que apanhar e ficar quieto, pois ele é uma máquina, e máquinas não sentem”! “Cuspam nele, apedrejem-no, pois ele é pago para isso”!

Ao assistir as análises e matérias que a expulsão de Neymar produziu nos mais diversos meios de comunicação, e a maneira única com que árbitros e tribunais o tratam, fica fácil perceber que o atleta já não é mais visto como um ser humano. Neymar foi, num determinado momento, reconstruído mentalmente e ganhou cabos  no lugar de nervos, titânio no lugar de ossos, aço no lugar de carne, chip no lugar de neurônios e uma placa metálica soldada na boca no lugar da língua. Por isso não sente mais dor e não pode reclamar!

Matem o Cai-Cai! Destruam o chorão! Aniquilem o farsante! Exterminem-no! Morte ao infiel! Morte ao infiel! Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a cabeça!

A Santa Inquisição do futebol vê Neymar como algo perigoso ao status-quo da mediocridade, por isso qualquer cavalo pode atropelar o craque e é negado ao jogador ousar respirar mais forte. Seus batimentos cardíacos têm a obrigação de permanecer harmoniosos, mesmo que uma desejável entrada no joelho aconteça. Afinal, está lá no contrato: Neymar não sente dor já que ele ganha para não tê-la!

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