Arma é coisa de macho apenas

A síndrome de caubói que atinge, principalmente, os modernos homens brasileiros é de meter medo e projetar um futuro onde tiros serão tão comuns como pipocas num parque de diversão. É o desejo infantil por portar um trabuco, para se defender de um fantasma qualquer.

Chega a ser estonteante a pressão de algumas entidades, de algumas mídias e de apaixonados pelo tiro para liberar a utilização de armamento à população. Não bastasse as mortes que se proliferam como pragas, de balas que matam a esmo, mesmo tendo controle, muitos estão imaginando um Brasil onde as casas tenham uma arma por residência. Imagine você então discussões comuns sendo resolvidas no tiro porque alguém perdeu a paciência ou está simplesmente estressado. Imagine!

Imagine as pocilgas sociais chamadas favelas, no Rio, onde o crime faz parte do café da manhã e do recreio nas escolas, com as casas entupidas de armas legais, recebendo policiais para fazerem a ronda noturna ou irem atender uma simples discussão entre vizinhos. Adolescentes armados desfilando pelas ruas e baladas para mostrar a pistola automática do pai, enquanto o pai trabalha. Imagine pais matando filhos na calada da noite porque chegaram de mansinho para não fazer barulho na madrugada.

Os tolinhos, fãs de filmes policiais e de guerra, que estimulam diariamente a posse de armamento como pseudo defesa de uma violência muitas vezes apenas imaginária não sossegam e minam principalmente as redes sociais com verdadeiras estratégias de marketing que apenas garantem o futuro das empresas desenvolvedoras de armas, fazendo americanos, russos e europeus rirem à toa.

O desejo destes inconstantes mentais é um poder infantil de portar um trabuco e ostentar nas mãos sequiosas um pseudo poder de herói que luta contra o mal. É o sonho de se ver um ator famoso que porta belas pistolas automáticas, artísticos rifles com suas lunetas noturnas de abate. E são homens, não mulheres. É difícil ver uma mulher ser apologista do uso de armas. É coisa de homem macho extasiado com a síndrome de John Wayne. Homens eternos meninos.

Associe tudo isso à incapacidade da Justiça em coibir a entrada de armas via fronteira com o Paraguai. E temos um belo Brasil para o futuro onde não faltará risco de bala no céu.

 

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