Aboiar os aboiáveis aboiando, aboiando


Lá vão os aboiáveis, sendo aboiados estrada afora
Lá vai o aboio que sai hipnótico de bocas treinadas
Na estrada, o canto dos treinados soa lento e constante
Como uma cantiga que flui direto para o meio da alma que anda
E desanda a andar como tola que é, que foi, que se deixou ser
 
E a vida vai sendo enganada com o canto que insiste
Aboiados castrados, aboiados tristes se engalfinham
O curral seguro aguarda com suas paredes frias
Mas a gente persiste, porque a ladainha é doce
Porque é crime deixá-la de lado e se encontrar em si
 
Lá vão os aboiados carregando culpas estranhas
Os aboiadores adorando aboiar sem esforço algum
Um a um, aboiados e aboiadores se reconhecendo
E dessa jornada que não termina sobram sobras
Que matam ideias, antes mesmo delas germinarem
 
E a banda dos aboiados persiste sendo aboiada
A estrada já cansada se esconde na poeira conhecida
Porque aboiados se cansaram de si e berram de alegria
Quando avistam um curral eternamente conhecido
E se juntam lá dentro, compartilhando seus medos
 
Medo de aboiar-se, medo de construir jornadas originais
Porque seguir sendo aboiado pela estrada uma vida total
É mais fácil de chegar ao mesmo e aboiado curral.

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