O perigoso sentido do pertencimento

Reparou como as pessoas, independente de sua posição geográfica, de sua cultura, buscam avidamente o sentimento de pertencer a algo? Pertencer a alguma coisa ou a tudo? Tribos, grupos, partidos, religiões, gangues, modas, times, organizações, ideologias…? E pertencer a si? E conviver consigo?

Parece que fazer parte de algo e sufocar a própria individualidade passou a ser mais fácil de carregar a vida, de suportar a pressão de viver num mundo maluco e cada vez mais opressor. A vida se transformou numa sequência de danos cada vez mais impossíveis de aguentar. Por isso, vale tudo para fugir da solidão. Ser um é ser nada! E cada vez se questiona menos a ética do lugar a que se quer pertencer. Um perigo!

É o ser humano buscando, desesperadamente, uma maneira de fugir de si e ser necessário a alguém, a alguns, a totens, deuses, paradigmas, ideias… E fugindo cada vez mais das possibilidades que uma busca interna pudesse proporcionar. Ficou mais fácil de sumir de si e de fazer uma jornada original para ser uma pedra a mais no muro, uma gota no oceano, um grão de areia na tormenta.

E a pergunta que não quer calar explode: que raios está fazendo a consciência, o livre-arbítrio na cabeça de quem não precisa mais disso? Estamos nascendo tão filhos da obviedade que aquilo que separava o humano de todos os outros seres terráqueos está sumindo.

Então, pertencemos a tudo, menos a nós mesmos. Viagens ao exterior mataram as necessárias jornadas ao interior da alma.

 

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