A volúpia do Esquerdopata pelo passado

É como uma doença incurável, uma droga, uma fissura. Falo da volúpia do Esquerdopata pelo passado. É como se o tempo tivesse parado e ele tivesse sido congelado lá. E quando teletransportado no tempo, acordasse no presente exatamente como se estivesse vivendo num passado onde se sente seguro.

Por isso, diariamente, ele vive e revive os acontecimentos pré-históricos e relaciona-os diretamente com o momento atual. Então, como uma oração que tem que pronunciar para respirar, faz reviver histórias, momentos que já se perderam no tempo e mesmo instantes que em que nem alguns deles estiveram presentes.

São os esquerdopatas coptados pelo caminho, uma raça peculiar que não se reconhece como ser inteligente, mas como fuzileiros apenas. Gente usada, na maioria das vezes, como bucha de canhão, boi de piranha, mas com autoestatus de descolado, intelectual, mestre, resistente, libertário, justiceiro, herói…

A cada momento do presente da vida nacional, o esquerdopata desenterra algo que surge do nada, quase. E se ele puder ganhar uma grana nisso aí então é como caminhar nas nuvens. Por isso, ele cavouca com prazer, desentocando, revolvendo o monturo da história para justificar uma ação no presente. Viver no passado é então, uma necessidade, um remédio para a sua vida sem sentido e totalmente liderada pelas tripas que carrega num cérebro que já não é mais dele, e sim do totem ao qual pertence.

O passado justifica nele qualquer ação contrária no presente, porque sua relação de pensamento nasce de uma anomalia cognitiva. Vem daí sua conhecida característica de de dar condição divina aos seus símbolos e líderes. O Esquerdopata é um conservador seletivo por excelência, seu olhar, amiúde é fixo.

Por ter medo de não sobreviver no presente, o passado é seu Shangrilá. Lá, ele domina tudo e o esquerdopata precisa dominar tudo ao seu redor. Por isso mesmo, em qualquer grupo de trabalho, ele é sempre o primeiro a ser reativo. É o estado da arte do ladrão de energia. E isso explica porque o esquerdopata precisa de um emprego com estabilidade, aqueles que “ninguém pode me mandar embora”. Se ele não precisar suar, já é a antessala do paraíso.

O parasita é o animal de estimação do Esquerdopata.

 

 

 

 

 

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