Poesia da democrática dor

Ela vem, mesmo que não se a permita! Vem e grita sua presença! Vem e nivela tudo à sua volta. Ricos, pobres, velhos, novos, crentes, não-crentes, inteligentes, ignaros, soberbos, humildes, poderosos, escravos…! Todos se ajoelham a ela, se prostram a sua justa tenacidade.
A Dor é, talvez, a coisa mais justa, enfim, porque toca tudo o que vive abrasadoramente, sem olhar a importância do vivente no contexto. Ela toca a vida inapelavelmente, meio que para dizer, “Você é falível, toda a sua história o é”. Ela, parece, existe para isso, para nos colocar numa posição em que o olhar de dentro para fora, nos puna de maneira exemplar.
Então, o poder, a glória, as conquistas, os sucessos, as sagas, o próprio conhecimento se curvam a ela, inferiorizados em si. A Dor, essa juíza imparável coloca castelos inexpugnáveis na condição de casebres despedaçados por uma brisa.
Não há defesas contra ela, não há poderes que a domem. Nenhuma instância humana a seduz de tal maneira que a compre.
No fim mesmo, a Dor nos liberta de nós mesmos. Ou deveria!

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