Poesia penicilínica

Não tem como se conter já que toda coragem é falsa. Toda bravura se esvai no espaço, o ser se apequena, o corpo antes cheio de bravatas se contorce pra dentro, quando no exato momento adentra a porta, trazida por mãos infalíveis, a seringa com a Benzetacil receitada.

Ali, o guerreiro se entrega, a nádega tenta até fugir pelo ar condicionado, as unhas ousam mesmo entoar um canto de adeus. Deus! Neste momento até o cético de carteirinha entoa uma Salve Rainha saída não se sabe de onde.

O viking antes tão ousado, agora é pouco mais do que um glúteo furado por mãos imparáveis. As órbitas oculares fazem a parte branca engolir a parte colorida. Uma contração toma conta da perna e o vivente jura que vai se vingar, quando a profissional de saúde solta o verbo “Relaxa que dói menos”.

E não adianta nada soltar a cinta e deixar a calça pendurada, tentando diminuir a exposição, porque a certeira agulha precisa mesmo de apenas um átomo para penetrar a pele branca como a neve.

Assim é o meu país. Um paciente que reclama do medicamento, mas foi irresponsável no combate da doença. Agora, Benzetacil, meu Brasil.

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