O índio americano e a doutora pedagoga da Pátria Educadora

Isso não aconteceu, realmente, mas poderia. Ou aconteceu? Nos Estados Unidos, em pleno deserto californiano, um barulhento grupo de adolescentes passava com seu ônibus escolar, por uma estrada federal que cruzava aquela árida região de norte a sul.

Maria do Rosário, a professora formada e doutorada em pedagogia pela Pátria Educadora brasileira, mas que tinha ido morar nos EUA e sabe-se lá como conseguiu ser merendeira numa escola primária nos arredores de Los Angeles, monitorava o grupo de estudo, substituindo a professora titular que estava com Covid. Na verdade a única servidora da escola que não havia pegado o vírus era ela.

Em dado momento da tarde ensolarada, a perspicáz monitora, atrás de uma grande verruga que tinha no nariz avantajado, notou que logo em frente, havia uma pessoa deitada com o ouvido colado ao asfalto. Mandou o motorista parar, saiu do ônibus, foi até o corpo e constatou que era um legítimo pele-vermelha, provavelmente da tribo Navajo, pelo que ela constatou imediatamente. Maria do Rosário amava filmes de índios americanos.

Histericamente chamou a turma de alunos e disse bem alto “Crianças, aqui está um legítimo índio americano. Provavelmente está tentando ouvir a estrada, esses índios têm ouvido de lince. Vamos aprender com ele. Deixemos ele ouvir o que está ouvindo e vamos perguntar o que é”.

Toda a classe ficou em silêncio, os minutos se passaram, o local era bem ermo e não havia trânsito naquela hora do dia. O sol queimava areia, pedras, cactus, inclemente. Até as sombras da vegetação rasa se escondiam enquanto aquele pedaço de solo americano era castigado pela natureza desértica.

Logo percebeu-se no céu, acima do corpo quatro ou cinco aves de rapina que rodavam em círculos perfeitos. Como não houve resposta a monitora resolveu se aproximar do índio e, colando seu ouvido no asfalto-frigideira, perguntou “Então, o que o senhor está ouvindo”?

A voz saiu seca, espremida, dolorida, angustiada “A senhora poderia chamar a patrulha estadual? Acabei de ser atropelado e não posso me mexer”. Ainda deu para entender uma última frase antes que o coitado desmaiasse enfim “Fuck you, brazilian idiot. Manitu save the children”.

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