Poema daquilo no que a gente se transforma

Somos, mesmo que não queiramos, mutáveis, ou seja mudamos conforme os ciclos culturais nos moldam. “Cultura” é tudo aquilo que dá identidade a um grupo de pessoas, então, somos sempre algo em transição.
A criança que fomos, o adolescente, o jovem, o adulto em nós são presentes e passados que foram se aderindo, constituindo a imagem que hoje vemos no espelho: um sábio, um fedelho, um mestre, um aprendiz, um corpo, um vulcão em chamas. Somos isso tudo numa mistura que nos faz ser o que somos.
Somos o magneto que atraiu partículas e foi tomando formas, algumas delas queremos até esquecer, outras nos dá prazer. O que sabemos é que isso é existir.
Mesmo que vivêssemos eternidades jamais deixaríamos de ser o que somos: fruto de outros, fruto de nós mesmos, somos e seremos sempre consequências de nós em movimento.
Enquanto buscamos por receitas que nos façam perfeitos, do seu jeito viver nos mostra o quão ínfimos somos, apenas partículas vagando à procura de uma identidade qualquer. Porque suportamos tudo, menos não pertencer a algo. A isso não sobrevivemos.

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